| Alexander Pivato |
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Espaços, cores e outros amores.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Notas
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| Alexander Pivato |
Quem riu? Quá, quá, quá, quá, quá: Fui eu que ganhei a graça... Para me perder na selva, que delícia... Aquele sabe fazer de uma árvore um esconderijo. Porque porcos, mas podemos ser sujinhos assim... e experimentarmos as coisas com contentamento. Tu não podes ou tu podes. Fazer coisas que são tuas. Fazer que tipo de coisas? Fazer como? Mais uma vez às voltas com aventuras ficcionais. Até quando não for mais. Descarregar a tinta da minha caneta para fazer diferente (parece sempre a mesma coisa dita de outra forma, mudou?).
P.S: tudo porque as pessoas foram dizendo e eu anotei. Contudo, a responsabilidade é minha.
Estávamos: Juli, Paula e Sara.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Para Juli:
"Tanto em pintura como em música e literatura, tantas vezes o que chamam de abstrato me parece apenas o figurativo de uma realidade mais delicada e mais difícil, menos visível a olho nu."
Clarice Linspector
Clarice Linspector
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| Alexander Pivato |
:aprender as maneiras figuradas de expressão. dar risada porque parece que escrevo de maneira figurada, mas é tudo quase objetivo. Tão objetivo que estou com dificuldades em diferenciar sonhos da realidade. Uma relação através do sonho com os inimigos, assim como os ameríndios da amazônia. Que movimento fazemos com essas criaturas que compõem nosso corpo, também o repertório epistemológico, se podemos dizer assim. Só as criaturas deles são diferentes das minhas, mas todas são humanas e nós? Como estamos? Eles não tem muitas dúvidas, ou em constante dúvida sabem como compor com os corpos inimigos, eles sabem lutar com "os inimigos fiéis": canibalizam e são canibalizados. Eu ainda estou na fase de entender e conhecer quem são esses inimigos. Por enquanto ainda exercito um pensamento racionalista: isso aconteceu ou foi sonho? E a resposta é quase impronunciável. Me assustei outro dia quando senti uma dor intensa no peito - pontadas atrozes - e não consegui identificar se era sonho ou foi de olho aberto. De qualquer maneira foi real, pensei. E fiquei mais confusa, só que dessa vez a situação foi inversa: tive problemas no corpo acordada e... no outro dia eu pensei que tinha sido sonho porque não havia nem resquício da dor. Embaralhada com os sentidos e aprendendo tanta coisa estranha! Desaprendendo tantas outras fáceis maneiras de organizar o real. Será que se fica louca quando se começa a compor com os sonhos? Mas se for essa loucura de conhecimento eu deixo porque fico contente. Além do mais as coisas estão relativamente fora de controle. Conter? Se eu não fizer eu explodo, explodo mesmo! Como mediar corpo aberto, corpo fechado. Tenho muito para encontrar com os coletivos indígenas. Eles sabem muito mais do que eu do que estou falando. Será que estou falando alguma língua reconhecível por qualquer ser? Escrever em locais públicos tem essa particularidade de se encontrar com supostos leitores. Quais leitores? Penso agora nas pessoas que conheço... a Juli vai entender do que estou falando... acho. Tãobem acho que a Clarice Linspector pensou bom!
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Marcadores:
figurativo: real,
objetivo
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Ditaduras
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| Alexander Pivato |
Os desaparecidos e mortos pela ditadura civil-militar; os apenados institucionais e as lutas de revolta. Algumas considerações a partir de falas e depoimentos de familiares de mortos e desaparecidos. Desaparecido já é morto? Quem legisla a morte? Quem a legitima no Estado de Direito? O Estado, única entidade que detêm o uso legítimo da força? Quem assinou o contrato social? Alguém lembra? Que história é essa de todos centrados em um? As partes e o todo? Mera coincidência, ou prática não demonstrada? Quais os investigadores de crimes? Quem os organiza, institui, autoriza? Quem manda em quem para quais? Como suportar as respostas cínicas, quando há respostas, à essas questões. Não sei como suportar! E sei, que aqui no Brasil, os familiares de presos políticos mortos e desaparecidos (e vice-versa) não suportam e lutam desde de dentro da própria ditadura até hoje. Sempre procurando as pessoas queridas, sempre pressionando a linha de segurança traçada para circundar os responsáveis pelas mortes, pelas torturas, pela tontura da "sociedade"(prefiro coletivos, segundo Latour) brasileira. Tive a oportunidade de ver e ouvir duas mulheres lutadoras na última sexta-feira (27/11) quando foi lançado o terceiro dossiê de mortos e desaparecidos e fiquei com o corpo todo inflamado, a pensar: como é o lugar do silêncio? O lugar do não-saber exatamente o que aconteceu com as pessoas perseguidas e torturadas e mortas e...? Como é buscar por aqueles que nunca mais voltarão? Buscar corpos inertes, histórias revoltas? Como é saber dos arquivos onde os crimes estão guardados e não ter direito de acesso? Como acreditar em democracia tal qual a discursam oficialmente? Como pensar em atuar na via institucional, especificamente, no judiciário e executivo, se as portas abrem somente com poucas e privilegiadas chaves? Elas respondem com suas ações, elas respondem identificando quais as poucas mãos que portam as chaves e o dizem - francamente - para quem quiser e quem não quiser escutar e são acusadas! Sim, acusadas de revanchistas! E se fossem, mesmo assim não estariam em guerra? Mas não é essa a guerra que elas fazem. A delas é de investigação, de mapeamento, de denúncia pública. A luta dessas mulheres é de tornar visível o que a ditadura fez questão de espremer até matar e continua espremendo para que o ato de espremer não venha à tona, não seja conhecido, quiçá questionado e condenado. À parte as nuances e sutilezas (que se dão através de angulosidades pessoais) daqueles preocupados em manter o sigilo sobre a violência "legítima" do Estado ditatorial e agora do Estado democrático, verifica-se as dificuldades de leitura das leis. As leis se leem com ideologia, para o melhor ou para o pior. Uma guerra, onde as batalhas vão sendo conquistadas uma a uma através da tática de guerrilha desses familiares. Abertura dos aquivos do período da ditadura, os coletivos empenhados em desbancar o fascismo exigem isso! Para não continuarmos apenados institucionais, para podermos fazer nossas as instituições, para que relações outras possam ser produzidas a partir de outras peças, que os jogos se misturem para que criemos outras formas de jogar. Eu quero saber o que fizeram com as pessoas em luta! Eu quero saber dos mecanismos de extorsão e exterminação da revolta! Eu quero saber!
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
pontilhados sobre mulheres.
Esse texto será quase diferente do que tenho exercitado nesses tempos, mas marco que deve valer alguma coisa e se mesmo não valer coisa alguma, ficará não menos quanto tantas palavras viajando nesse espaço de expressão.
Vejamos, a questão que arranho aqui é: mulheres. Arranho porque não faço escrita para alcançar absolutos, se eles existem? Então, faço deixar coisas que andam surgindo entre uma conversa e outra; uma observação e qualquer sentido; uma leitura e algumas dúvidas. Das conversas sobre como casais onde os homens amam mais, mais persistem as junções. Por quê? De encontros com várias tias em uma cozinha de avó num domingo, contentamento das histórias e articulações solidárias para as festas de final de ano. Me passa na cabeça: famílias interessantes contam mulheres interessantes. E disso, me dou conta que no romance de Virginia Woolf, "Noite e Dia", a autora faz o homem amar e a mulher passar por um sentimento mais brando do encontro. Eles decidem pelo casamento, mais precisamente, a personagem Elisabeth resolve positivamente por esse casamento (já havia desistido de um... e nunca quiz casamento algum, diga-se de passagem). O que é tudo isso? O que está nessas relações singulares que mulheres tecem, esses sutis bordados que articulam pontos cegos e fazem as coisas tomarem fôlego, sem se mostrarem. Dentro de situações estranhas. Contudo, nem tudo de mulheres é contentamento. Nossa! Que marca de dissimulação. E dissimulação não me parece justificável como defesa. Aliás, defender-se ou guerrear? Fico com a potência da guerra. Embate de forças, composição das diferenças. Sem manutenção da ordem própria potencializada pela dissimulação, que aliás é covarde. E falo de mulheres e não do feminino, aqui tenho ainda muito para buscar, talvez podemos pensar junt@s sobre. Alguns pontos soltos para provocar e também levar ao lixo a série de bilhetes que se perdem pela casa guardando apontamentos dispersos.
Vejamos, a questão que arranho aqui é: mulheres. Arranho porque não faço escrita para alcançar absolutos, se eles existem? Então, faço deixar coisas que andam surgindo entre uma conversa e outra; uma observação e qualquer sentido; uma leitura e algumas dúvidas. Das conversas sobre como casais onde os homens amam mais, mais persistem as junções. Por quê? De encontros com várias tias em uma cozinha de avó num domingo, contentamento das histórias e articulações solidárias para as festas de final de ano. Me passa na cabeça: famílias interessantes contam mulheres interessantes. E disso, me dou conta que no romance de Virginia Woolf, "Noite e Dia", a autora faz o homem amar e a mulher passar por um sentimento mais brando do encontro. Eles decidem pelo casamento, mais precisamente, a personagem Elisabeth resolve positivamente por esse casamento (já havia desistido de um... e nunca quiz casamento algum, diga-se de passagem). O que é tudo isso? O que está nessas relações singulares que mulheres tecem, esses sutis bordados que articulam pontos cegos e fazem as coisas tomarem fôlego, sem se mostrarem. Dentro de situações estranhas. Contudo, nem tudo de mulheres é contentamento. Nossa! Que marca de dissimulação. E dissimulação não me parece justificável como defesa. Aliás, defender-se ou guerrear? Fico com a potência da guerra. Embate de forças, composição das diferenças. Sem manutenção da ordem própria potencializada pela dissimulação, que aliás é covarde. E falo de mulheres e não do feminino, aqui tenho ainda muito para buscar, talvez podemos pensar junt@s sobre. Alguns pontos soltos para provocar e também levar ao lixo a série de bilhetes que se perdem pela casa guardando apontamentos dispersos.
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10:35
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Por que coisas de mulheres?
terça-feira, 17 de novembro de 2009
anões, formigas, medo.
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| Alexander Pivato |
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da série: pesadelos.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Cabide de meninas:
"Almoço na Laje"
espelho na mesa
problemas
danças
fumaça - tempo - fumaça
molhaceira
melhoramentos
melhor momento
tormento
atormentar
atomizar
atrapalhar
desastrar
verbar
reverberar
cavocar
cravar
cantar
contrastar
canibalizar
carnavalizar
calar
pontuar (às vezes)
As mulheres reunidas são também desconstâncias. Algumas acalentam normalidades, outras convertem privações em olhares oblíqüos, tem ainda aquelas que deixam o corpo todo gritar sintonias. Acontece de chegarem e o momento cristalizar, de partirem quando cumes atravessam sentidos. As mulheres em matilha e às vezes não dá certo entrar na fluência desse movimento. Então, as músicas poderiam ser rock'roll, mas são coisas de torcer o corpo de outra forma: torcer e torcer, eis a questão! Desformular as cervejas em localizações: há lugares diferentes em estados de bebidas. Porque de corpo cheio, o espírito extravasa. Corredor de misérias até nos tempos de contentamento. Repetições de feitiços e desastres (reintrodução de números telefônicos em agendas fantasmas).
Não se pode voltar no outro dia a todos os lugares habitados em algum dia.
Não se pode voltar no outro dia a todos os lugares habitados em algum dia.
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12:06
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