vivendo num espaço composto de nós. não muito satisfeita com essas presenças estranhas tão dentro, tão intensas, tão alheias. pensava nos fantasmas, mas logo suspirava, depois de olhar para os lados ou confirmar de alguma outra forma, que continuavam como fantasmas... contente então eu com os fantasmas. Por motivo de prazer alguns deles resolveram deixar o lugar da imaginação, das configurações e passaram a ter forma e exigir outras imaginações e outras configurações, deixaram de produzir sustos para provocar preocupações. de algumas bocas é possível ouvir que nada é irreversível, tanto para as coisas boas quanto para as ruins. mas das mesmas bocas nunca chegam as intensidades da máxima. talvez porque deixaria a máxima, mínima: singular, mais forte. quem disse, que se está preocupado nesse mundo de moral com força... estão todos preocupados mesmo é com o que os outros deixam de fazer de acordo com as prisões de cabeças e mais cabeças famintas. por que não escolhem outros pratos? por que esperam sempre a hora certa de furtar a refeição que não prepararam? E quanto pior o sabor, mais prazer experimentam - essas bocas de moral. Eu quero mesmo é comer longe dessa gente que está protegida pelo conceito de sociedade (conceito que não define nada, portanto esconde muito bem) e vê-los todos chegarem no ponto da canibalização... são tão venenosos que com certeza acabarão se anulando. Esses covardes, nesses lugares podres.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Argh,
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Eu quero, tu queres, ele quer... nós queremos!
Que é isso que perturba e não tem nome? Que lugar ocupa dentro do corpo? Porque incomoda os pensamentos e deixa a atitude irritada. O que é essa coisa que me faz estar indisposta com qualquer frase acabada cheia de sentidos velhos ou razões duras? Essa vontade de andar e andar e andar e não cumprimentar ninguém dos conhecidos, não porque perderam sua potência de afetar e sim quando ficam mais invasivos porque estou no lugar onde tudo entra. Ficando perigosa essa minha vontade de não estar em nada, flertando com a vontade de ficar perdida entre as palavras de autores, resmungando ao som dos músicos, cheia de idéias entre um bom roteiro e outro. Só querendo do mundo as minhas vontades e sabendo que assim, só tenho poucas vontades que já são tantas. Quero os desconhecidos encostados nas paredes com seus copos depois que nada deu certo e que tudo foi muito bem obrigada. Quero os noturnos que deixam pegadas sem serem notados e não passam perfume e nem pretendem mudar o mundo. Quero aqueles que pensam por prazer e sofrimento e desviar dos que pensam por muita inteligência, aqueles que pensam porque não há outra coisa a ser feita na vida além dos acontecimentos. Quero a xícara de chá com o cabo quebrado que ninguém usa, quero o que ela deixou de ser para guardar qualquer coisa que sirva para transformá-la. Quero um copo de água da fonte, sem sentir o gosto de tratamento da departamento de água e esgoto, quero ficar longe dos departamentos mesmo sabendo que as pessoas aí também podem resolver algumas questões com gentileza e conhecimento, quando a burocracia deixa aparecer uma fresta do que ela pode significar além dessa merda de fazer as gentes reunirem coisas para chegar num fim sem caminhar. Quero sentir cada pedra do caminho, quero sentir quando piso na água, na areia, na grama, quando cravo o pé no espinho, quero estar onde estou apreendendo. Eu quero viver mais com vinho e espumantes quando eu bem entender... depois do almoço numa sexta-feira enchendo a cara com meu pai saindo pela cidade a procurar qualquer coisa, rodar, conversar absurdidades e chegar até a mesa onde o sanfoneiro bebe o vinho do homem que cuidou do parreral e enfeitiçou as uvas. Chegar sem saber no final e começar por intesidade, por contentamento.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Voltando aos poucos
Me perdi da escrita por um tempo porque perdi a noção do próprio tempo. A vontade de marcar sentidos, pensamentos, deixar as imagens através das palavras, essa eu não perdi e fiquei inquieta, cheia de coisas dentro e sem ter como sentar e dar espaço para o fazer. Aconteceu que muitas dessas coisas do pensamento, agitadas por suavidades também brutalidades, estão pela memória esperando outros acontecimentos para voltarem com força de expressão. Tenho que ser persistente para não deixá-las abandonadas por aí, apesar que eu sei que elas sabem se cuidar muito bem e precisam de movimento não de mim, necessariamente. De tudo isso, estive duas semanas num lugar de livro escolar: para a pessoa que nasceu no sul do Brasil. O avião, além de me despejar dentro da bacia do rio amazonas, me conduziu por lugares de pensamento topográficos... se passa por muitas imagens e não se sabe o que é e ao mesmo tempo se fica sabendo de alguma coisa, mas sem a precisão da classificação. Escrevo porque acredito que podemos falar atrás, através, além da precisão, pois faz pensar e deixa o coração alegre, menos angustiado em fazer do que apreendemos registro através das categorias estabelecidas. Claro que pesquisar com calma o estabelecido pode conferir maior poder para o fantástico das imagens, dos sentidos. Reservo esse trabalho para outro momento, como para outro momento ficarão os detalhes dessa Amazônia das coisas do inacreditável. Porque ver um rio sem poder encontrar a outra margem é, se não inacreditável, de encher os olhos com água doce! Começo a escrever e a vontade é ficar por aqui mesmo, configurando esse aperto de olhar, ouvir, salivar, cheirar, imaginar e ar e ar e ar: meu respirar...
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
amigos silenciosos
Em volta, a mudança na disposição das coisas transformaram o nosso diálogo. Os livros falam entre si de outra maneira porque estão dispostos em prateleiras outras. São amigos? Inimigos? Concordantes? Contraditórios? Sobrepõem-se e somam-se e anulam-se? Essas pessoas todas mancomunadas na calada da noite, cochichando sabe-se lá o quê! Das revoluções, transcendências, imanências, decadências, heroísmos e atavismos e tanta coisa mais que tenho que trabalhar para comunicar-vos os ruídos dessas corujas na minha cabeça. Essa é uma notinha de lembrança, será que ela deveria ficar aqui? Por enquanto, vai sim.
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brevíssima nota.,
sobre pessoas e livros
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Alex, alex, ALEX:
espreitar teus recantos para produzir uma expressão de desconforto. Entender exercícios de resistência, mas deixá-los ao abandono. Porque saber de outro é nunca saber, mesmo quando muita coisa já aconteceu. uma conjunção de potencias a discutir forças. forças singularizadas, àquelas de entortar raízes. sem paragrafar para grafar um momento que: gostaria fosse uma multidão de sentidos. Nem sonho agora me acomete e tão ficsionada nessa realidade de afetividade. Uma não questão de agüentar nem dormir: susurros de rabiscos. ouvindo, ouvindo, ouvindo... quando da crise intelectual, mais ouvindo na música um alento de fraternidade.
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quarta-feira, 24 de março de 2010
continua...
Uma vida de sustos. Arrebentar o corpo, sim, é para isso que insistimos. E descobrimos mil coisas diferentes para festejar e rasgamos os nervos de vontade e sabemos que tudo acaba para um interesse exíguo. Tudo, agora, acaba sem tremas. Eu, tremia com tremas. Novamente tremer de amor e por hoje, como, recadinho de geladeira, deixar para amanhã. Eu te amo! Eu te amo, com todas as pontuações da língua portuguesa. Tu ainda me fodes, por estar tão idiota e me dever as emoções da tua sanidade e da tua loucura. Piada.
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digitado letra por letra.,
sofrimento
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Suportar ou não, eis a questão:
![]() |
| Alexander Pivato |
Não suporto sapatos apertados; ressaca; caras feias. Não suporto a barulheira e a sujeira das reformas em edificações; o lixo das ruas e das cabeças; o calor de quarenta graus em Porto Alegre. Não suporto parar de fumar, mas estou me torturando; deixar de beber no meio da festa, porém me obrigo para não esquecer de mim; marcar encontro no Odeon e tomar o chop sozinha, não pelo chop, mas pela expectativa de conversar com alguém. Não suporto comida sem tempero, fria, mal feita porque não posso com pessoas que fazem as coisas sem imprir sentido (que seja qualquer sentido - para marcar uma potencialidade de discussão); cerveja quente no Brasil; vinho azedo e gente apoiada no balcão com ar de superioridade. Não suporto conversas sobre negócios, pois nesses momentos todos parecem estar muito bem financeiramente, todos parecem saber perfeitamente a fórmula do sucesso, todos parecem tranquilos com os cafezinhos ou com a rodada de bebidas e todos efetivamente ignoram a conta no final. Não suporto notícias sobre a situação nacional porque o nacional é tão Brasília; representantes estudantis com palavras de ordem copiadas e coladas de cinqüenta, sessenta anos atrás (o problema não está nas palavras do passado, mas na atitude de cópia); políticos oportunistas que aprendem a piscar os olhos na hora certa, abraçar, acenar, apertar as mãos e sair sem responder as questões. Não suporto ser atravessada por perspectivas mesquinhas: eu uso tal, tu usas tal, ele/ela usam tal, nós usamos tal e se usares outra coisa: olhares de desprezo, risinhos cínicos. Às vezes eu não suporto gente! E não me suporto por insistir em desvendar vida e por falhar, falhar em cada palavra.
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prelúdio da revolta.
